A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alcançou, em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, o maior volume de apreensões de drogas da série histórica no Paraná. Ao longo do ano, foram retiradas de circulação 292,7 toneladas de entorpecentes, superando as 284,1 toneladas apreendidas em 2024 e ampliando o recorde iniciado em 2023, quando o total chegou a 195 toneladas.

Somente nos últimos três anos, desde 2023, a PRF já retirou 771 toneladas de drogas de circulação no estado.

Drogas apreendidas

A maconha e seus derivados — como haxixe, skunk e merla — permaneceram como as principais substâncias apreendidas, totalizando 289,2 toneladas em 2025, um crescimento de 3,27% em relação ao ano anterior.

As apreensões de crack chegaram a 610 quilos, representando aumento de 27,08%, enquanto a cocaína apresentou redução de 19%, com 2,93 toneladas apreendidas.

Do total de drogas localizadas em 2025, 76,3% foram resultado de ações de inteligência policial. Por meio da análise de dados e do trabalho integrado com outros órgãos, a PRF conseguiu identificar focos de atuação criminosa e direcionar ações mais eficazes. Pelo menos 220 toneladas foram apreendidas após levantamentos de inteligência. Em outras áreas, como a de agrotóxicos, a participação da inteligência chega a 90%.

Segundo o superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira, o volume é inédito:

“A Polícia Rodoviária Federal nunca apreendeu um volume tão significativo de drogas no Paraná quanto atualmente. Nos últimos três anos, retiramos de circulação 771 toneladas, número superior ao total apreendido em toda a década anterior. Entre 2013 e 2022, em dez anos, o volume não passou de 735 toneladas.”

A maior apreensão do ano ocorreu em 26 de junho, em Marechal Cândido Rondon, quando policiais localizaram 17,2 toneladas de maconha em uma carreta que seguia do Mato Grosso do Sul em direção à região Sul do país.

A posição geográfica do Paraná, com extensas fronteiras com Paraguai e Argentina, faz do estado um dos principais corredores do tráfico de drogas no Brasil, favorecendo o transporte de grandes volumes, muitas vezes concentrados em um único veículo.


Agrotóxicos ilegais

Além das drogas, a PRF registrou crescimento expressivo nas apreensões de agrotóxicos contrabandeados ou falsificados. Em 2025, foram apreendidas 16,8 toneladas, volume 369,7% maior que o registrado em 2024, quando foram apreendidas 3,5 toneladas.

Os produtos mais recorrentes são à base de paraquat, substância proibida no Brasil, e de tiametoxam, cujo uso é restrito. Os impactos desses defensivos ilegais atingem o meio ambiente, a saúde pública e a produção agrícola. No caso do tiametoxam, a restrição adotada pelo Ibama, em 2024, ocorreu após comprovação de sua relação com a mortalidade de abelhas, essenciais para a polinização.

O risco de contaminação envolve alimentos, rios, lençóis freáticos e a fauna, especialmente insetos polinizadores, provocando desequilíbrios ecológicos e prejuízos à vegetação nativa.


Medicamentos

As apreensões de medicamentos também cresceram de forma significativa em 2025. Ao todo, a PRF apreendeu 54.015 unidades, mais que o dobro do volume registrado no ano anterior.

Esses produtos costumam ser transportados sem qualquer controle sanitário, muitas vezes expostos a temperaturas extremas, ocultos em equipamentos eletrônicos ou na lataria de veículos. Muitos exigem refrigeração controlada, o que raramente é respeitado.

A PRF aponta que esse tipo de crime frequentemente está associado ao tráfico de drogas e ao contrabando, sendo comum o transporte simultâneo de diferentes produtos ilegais de alto valor agregado. A compra facilitada, sem prescrição médica e a preços inferiores, expõe a população a medicamentos falsificados, sem garantia de procedência, representando sério risco à saúde pública.


Prisões

O tráfico de drogas permaneceu como o principal crime responsável pelas prisões realizadas pela PRF no Paraná. Em 2025, a instituição prendeu 3.206 pessoas, sendo 771 detenções por tráfico, número 8,4% maior que o registrado em 2024. Do total de presos, 86% eram homens.

Apesar do elevado número de ocorrências, nenhuma morte foi registrada em decorrência das ações policiais, refletindo um trabalho técnico, estratégico e baseado em inteligência.

Ainda assim, foram registradas 211 fugas, com acompanhamento tático, situações que representam alto risco tanto para policiais quanto para outros usuários das rodovias.

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