A definição da composição das comissões permanentes da Câmara Municipal de Apucarana, oficializada nesta segunda-feira (2), foi marcada por críticas e tensionamentos políticos. Durante a sessão, o vereador Guilherme Livoti questionou a condução dos trabalhos legislativos e anunciou publicamente sua saída da base de governo liderada pelo vereador Moisés Tavares.
Em conversa com a imprensa, Livoti classificou a sessão como “atípica” e afirmou ter sido contrário à retirada dos expedientes, espaço destinado às manifestações dos vereadores. Segundo ele, a medida foi antirregimental e prejudicou o debate de demandas apresentadas pela população desde o mês de dezembro.
“Eu fui voto contrário à retirada dos expedientes, porque entendo que é antirregimental. É nesse momento que os vereadores têm a possibilidade de falar das demandas da população. Dez vereadores optaram por retirar esse espaço”, afirmou.
O parlamentar também fez duras críticas à forma como foram conduzidas as articulações para a escolha das comissões permanentes, consideradas essenciais para o funcionamento do Legislativo.
“Comumente, os vereadores se reúnem antes para articular as composições das comissões. Isso aconteceu, mas, lamentavelmente, vimos pessoas que não honraram a palavra. Acordos de trabalho foram desrespeitados”, declarou.
Diante do cenário, Guilherme Livoti anunciou que não integra mais a base de governo na Câmara Municipal, embora tenha ressaltado que mantém um bom relacionamento institucional com o prefeito Rodolfo Mota.
“Continuo com um bom relacionamento com o prefeito Rodolfo, não tenho nenhum problema com ele. Mas não faço mais parte da base liderada pelo vereador Moisés Tavares. São diferenças morais, éticas e ideológicas que impossibilitam caminhar no mesmo grupo”, disse.
Livoti detalhou ainda que havia um acordo para que permanecesse na presidência da Comissão de Finanças, Economia e Orçamento e assumisse a relatoria da Comissão de Educação, Cultura, Esportes, Saúde e Assistência Social, o que não se concretizou durante a votação em plenário.
“O que foi combinado era correto e justo para todos, mas foi desonrado. Não faz sentido caminhar com um grupo que muda completamente a postura na hora da votação”, afirmou.
Apesar da decisão, o vereador garantiu que seguirá exercendo normalmente seu mandato e participando dos debates legislativos.
“Meu trabalho continua o mesmo, sempre pautado nos meus princípios e valores. Se o trabalho não sair das comissões, ele vai sair do plenário. Vamos continuar discutindo as pautas e mostrando o volume de trabalho legislativo que realizamos”, concluiu.