Na segunda-feira (19), a Delegacia da Mulher de Arapongas confirmou a morte de Franciele Samara Galvão, de 41 anos, natural de Apucarana, que estava internada no Hospital Honpar desde o dia 27 de dezembro de 2025 após sofrer uma violenta agressão em via pública, nas proximidades da Igreja Santo Antônio, em Arapongas.

Com o falecimento, o caso deixa de ser tratado como tentativa de feminicídio e passa a ser oficialmente investigado como feminicídio consumado.

A delegada Camilla Costa, responsável pelo caso, relatou como tudo aconteceu naquela manhã de dezembro. Segundo ela, moradores e comerciantes da região ouviram discussões durante a madrugada.
“Eu fui ao local, conversei com testemunhas que não chegaram a presenciar diretamente, mas que moravam em frente e ouviram a briga do casal durante a madrugada. Um comerciante, ao chegar para abrir o estabelecimento pela manhã, percebeu que o casal discutia e tentou intervir”, explicou.

A delegada destacou que imagens de câmeras de segurança mostram a vítima em estado de desespero.
“Ela chegou a entrar em uma padaria, visivelmente assustada. As pessoas tentaram ajudá-la, tentaram intervir. Depois, eles saem da padaria e sobem a rua onde tudo aconteceu”, contou.

Em outro trecho das imagens, é possível ver o momento da agressão.
“A gente consegue ver que ele a abraça, mas não é um abraço, é como se fosse um mata-leão. Ela começa a gritar: ‘para, você está me enforcando’. Mais à frente, ele teria esganado a vítima, fazendo com que ela perdesse a consciência e caísse ao chão, já sem vida”, afirmou a delegada.

Camilla Costa relatou ainda que um casal que estava nas proximidades percebeu a situação e tentou intervir.
“Quando eles viram que o rapaz estava agredindo a vítima, intervieram, o que fez com que o indivíduo fugisse do local”, disse.

A delegada também destacou o histórico criminal do agressor.
“Esse indivíduo possui passagens tanto por tráfico quanto por roubo. Ele havia saído da cadeia há pouco tempo e, além disso, chegou a ser pronunciado em 2021 por um homicídio, mas acabou absolvido em júri”, relatou.

Sobre a versão apresentada pelo autor, Camilla foi enfática.
“Ele afirma que apenas empurrou a vítima e que ela caiu desacordada, mas isso não faz sentido. A vítima chegou a ser reanimada no local. Um simples empurrão não seria capaz de causar essa situação naquele momento”, concluiu.

O suspeito foi preso em flagrante no próprio dia 27 de dezembro e teve a prisão preventiva decretada logo após, permanecendo preso desde então.
“O Ministério Público já havia oferecido denúncia por tentativa de feminicídio. Agora, com a morte da vítima, deve haver o aditamento da denúncia para feminicídio consumado”, explicou a delegada.

Franciele, que estava em situação de rua, assim como o agressor, lutou pela vida durante quase um mês no Hospital Honpar, mas infelizmente não resistiu às graves lesões causadas pela agressão.

Na tarde de segunda-feira, o Instituto Médico Legal (IML) de Apucarana foi acionado para realizar a remoção do corpo e dar sequência aos procedimentos legais.

A ocorrência mobilizou equipes da Guarda Municipal, do SAMU e da Polícia Militar em Arapongas. A vítima foi encontrada desacordada na calçada, sem sinais vitais, e precisou ser reanimada no local antes de ser encaminhada em estado gravíssimo ao hospital.

Com a confirmação da morte, o caso passa a ter um novo peso jurídico e social, reforçando a gravidade da violência contra a mulher. A Polícia Civil segue com as investigações para a conclusão do inquérito, que deverá enquadrar o crime como feminicídio, uma das formas mais graves de homicídio previstas na legislação brasileira.

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