Imagem por: Jonatam Battista/Canal 38

Foi finalizada nesta sexta-feira (23), na SEMAF, localizada na Rua Talita Bresolin, 550, antigo Espaço Maranata, em Apucarana, a Capacitação em Atendimento à Mulher, promovida pela Secretaria da Mulher e Assuntos da Família, em parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM) e o Centro de Atendimento à Mulher (CAM).

Durante oito dias, as equipes participaram de treinamentos em grupos reduzidos, garantindo que o atendimento operacional da Guarda Municipal não fosse prejudicado. A capacitação teve como foco preparar os agentes para um atendimento mais humanizado, técnico e eficiente às mulheres em situação de violência.

A secretária da Mulher, Karine Mota, ressaltou a importância da iniciativa, lembrando que muitas vezes os primeiros a atender uma vítima são os agentes de trânsito e a Guarda Municipal.

“Hoje é o último dia dessa capacitação. Nós fizemos oito dias com grupos pequenos para não tirar totalmente a Guarda Municipal do trabalho. É muito importante porque a guarda e os agentes de trânsito, muitas vezes, são os primeiros a atender essa mulher. Então precisamos mostrar como chegar até ela, como acolher e como encaminhar para que possamos fazer a busca ativa, porque nem todas conseguem chegar até nós sozinhas”, afirmou.

Karine destacou ainda que o atendimento exige sensibilidade, empatia e preparo emocional.

“Nós orientamos os guardas a pensarem como se aquela mulher fosse alguém da família: uma filha, uma mãe, uma esposa. A primeira barreira que essa mulher enfrenta muitas vezes é um homem, já que a agressão vem, na maioria das vezes, de um homem. Por isso é tão importante saber como abordar e acolher”, explicou.

Sobre a nova estrutura do CAM, instalada agora na região central da cidade, a secretária ressaltou que o local foi pensado não apenas para acolher, mas também para capacitar as mulheres.

“Aqui teremos salão de beleza, setor de costura e cursos profissionalizantes. Só nesta semana abrimos vagas para cursos de fevereiro e elas se esgotaram em meia hora. Isso mostra a necessidade que essas mulheres têm de se fortalecer, de se preparar para o mercado de trabalho e conquistar independência”, destacou.

Ela ainda reforçou o sigilo absoluto no atendimento.

“Tudo é feito de forma separada e sigilosa. Ninguém fica sabendo que a mulher está aqui. Até a denúncia anônima é totalmente protegida. Antes que algo mais grave aconteça, é fundamental denunciar. Às vezes, a violência não atinge só a mulher, mas também os filhos”, completou.

A diretora do CAM e assessora jurídica, Fernanda de Freitas, explicou que a capacitação integra toda a rede de atendimento à mulher.

“Nós temos dois departamentos: o de enfrentamento à violência e o de atendimento direto à mulher. A situação chega até nós por boletins de ocorrência, denúncias espontâneas e pela própria rede de atendimento. A Guarda Municipal faz parte dessa rede, especialmente com a Patrulha Maria da Penha, que atua no pós-flagrante, garantindo sensação de segurança e suporte contínuo para que a mulher saia do ciclo da violência”, explicou.

Fernanda destacou que o trabalho vai além do atendimento imediato.

“O atendimento é psicossocial e jurídico, com acolhimento humanizado. A psicologia não atua como terapia, mas como forma de ajudar a mulher a entender o ciclo da violência. Hoje falamos em um ciclo em espiral, que, se não for interrompido, termina na morte. Por isso a informação salva vidas”, alertou.

Ela também ressaltou que existem diversos tipos de violência.

“Não existe só a violência física. Temos a psicológica, moral, digital e tantas outras. Tudo começa numa relação de poder. Quando o guarda entende isso, o atendimento se torna mais humano e mais eficiente, porque ele é a ponta, é o primeiro a chegar na ocorrência”, reforçou.

O comandante da Guarda Civil Municipal, Fábio Souza, afirmou que a capacitação trouxe mais segurança para a atuação das equipes nas ruas.

“Essas orientações são fundamentais para que possamos decidir corretamente o que encaminhar para a delegacia, como orientar as mulheres e como repassar as informações ao CAM. Esse trabalho em conjunto aumenta a efetividade e garante mais segurança às mulheres”, destacou.

Ele também reforçou a importância da participação da população.

“Antigamente se dizia que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Hoje é exatamente o contrário. Tem que meter a colher sim. Tem que denunciar, tem que proteger quem está sendo vítima, seja mulher, criança ou idoso. A identidade de quem denuncia é preservada”, afirmou.

Sobre a dinâmica da capacitação, o comandante explicou:

“As equipes foram divididas para que uma parte participasse da capacitação enquanto a outra continuasse no serviço operacional. A Guarda já é bem equipada e agora está ainda mais preparada para proteger a população, principalmente as mulheres”, completou.

Ao final, Souza agradeceu o apoio da gestão municipal.

“Agradecemos ao prefeito Rodolfo Mota, que tem um olhar especial para a proteção da mulher, e à secretária Karine Mota pela receptividade e organização dessa capacitação. A Guarda Civil Municipal está sempre à disposição da população”, concluiu.

A capacitação marca mais um passo no fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Apucarana, integrando poder público, forças de segurança, atendimento psicológico, jurídico e social, com foco na prevenção, no acolhimento e na preservação da vida.

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