Patrão e colegas que denunciaram desaparecimento são presos
A Polícia Civil esclareceu um crime de homicídio que chocou a cidade de Apucarana e o Vale do Ivaí. Três pessoas foram presas temporariamente acusadas da morte de Bruno Michel Dias Gonçalves, de 35 anos, cujo corpo foi encontrado em uma terça-feira, dia 26 de agosto de 2025, durante a tarde, às margens de uma ponte no Rio Bom, na divisa entre Novo Itacolomi e Borrazópolis.
Em entrevista, o Delegado André Garcia explicou que o caso começou a ser investigado como desaparecimento.
“Inicialmente, pessoas conhecidas da vítima, que se chamava Bruno, de 35 anos, procuraram a delegacia aqui em Apucarana, no dia 22 de agosto, relatando o desaparecimento desse jovem. Ele trabalhava como pedreiro em um conjunto de obras aqui na cidade e já estava há pelo menos três dias sem dar notícias.”
Segundo o delegado, após o registro do boletim de ocorrência, as investigações avançaram até a localização do corpo.
“No dia 26 de agosto, uma semana depois, foi encontrado o corpo de um homem em um riacho, o Rio Bom, entre Novo Itacolomi e Borrazópolis. Através do exame de necropapiloscopia, os peritos identificaram como sendo justamente o Bruno, aquele jovem que morava em Apucarana.”
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal, onde ficou constatada a brutalidade do crime.
“Ele levou cerca de 40 facadas na região do tórax. A partir daí, passamos a tratar o caso como homicídio.”
Embora o corpo tenha sido encontrado em outro município, as investigações apontaram que o crime ocorreu em Apucarana, na região onde a vítima morava e trabalhava.
“No decorrer das investigações, constatamos fortes indícios de que o homicídio aconteceu aqui na comarca de Apucarana. Representamos ao Poder Judiciário por medidas cautelares, inclusive dados de geolocalização, e descobrimos que os suspeitos eram justamente as pessoas que haviam registrado o desaparecimento: o patrão e colegas de trabalho.”
Com base nas provas, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de três investigados.
“Prendemos o patrão, um colega de trabalho e uma companheira de serviço. Essa mulher foi localizada em Curitiba, para onde havia se mudado logo após o crime, numa clara tentativa de fugir da responsabilização criminal. Os outros dois foram presos aqui em Apucarana.”
Durante os interrogatórios, um dos presos confessou o assassinato.
“Ele morava na residência onde encontramos grande quantidade de vestígios de sangue. Tentou apagar essas marcas usando soda cáustica e tinta, mas a Polícia Científica fez um excelente trabalho e identificou os resquícios, principalmente no quarto, onde havia um colchão. Diante do conjunto probatório, ele acabou confessando.”
Os outros dois negaram participação direta no homicídio, mas são investigados por ocultação de cadáver.
“O corpo foi transportado durante a madrugada, enrolado em lona plástica, material que eles tinham fácil acesso por serem pedreiros, e jogado no riacho.”
Sobre a motivação, o delegado relatou a versão apresentada pelo autor confesso.
“Ele alegou que o crime teria sido motivado por uma suposta tentativa de abuso do Bruno contra o filho dele, uma criança de seis ou sete anos. No entanto, não temos outros elementos que confirmem essa afirmação. De qualquer forma, o crime é qualificado pelo meio que dificultou a defesa da vítima e também pela ocultação de cadáver.”
André Garcia destacou ainda o trabalho da Polícia Civil em casos semelhantes.
“No ano passado, tivemos cinco homicídios em Apucarana com ocultação de cadáver, e todos foram solucionados. Dificulta a investigação, mas não impede. Mesmo quando tentam destruir provas, mudar a cena do crime ou fugir da cidade, a polícia vai atrás, investiga e esclarece os fatos.”
Os três suspeitos permanecem presos temporariamente, e a Polícia Civil trabalha para a conversão da prisão em preventiva.
“Muito provavelmente haverá a conversão da prisão daquele que confessou para preventiva, e todos deverão ser levados a julgamento pelo Tribunal do Júri”, concluiu o delegado.
O corpo de Bruno foi localizado na tarde de terça-feira, 26 de agosto de 2025, dentro de um saco plástico preto, em área de difícil acesso, às margens do Rio Bom, próximo à ponte entre Novo Itacolomi e Borrazópolis. O resgate contou com apoio do Corpo de Bombeiros de Apucarana, e a identificação oficial foi realizada pela Polícia Científica de Ivaiporã. As informações são do repórter Jonatam Battista do Canal 38