Uma mulher de 42 anos está internada em estado grave desde dezembro em Belo Horizonte após utilizar uma caneta emagrecedora sem indicação médica e adquirida de forma ilegal.
Um dos primeiros sinais de que algo estava errado foi a mudança na coloração da urina, que ficou avermelhada, além do surgimento de fraqueza muscular.
De acordo com as informações, a auxiliar administrativa começou a usar o medicamento no fim de novembro. O produto teria vindo do Paraguai e era comercializado irregularmente no Brasil. Em meados de dezembro, ela passou a apresentar os primeiros sintomas e suspendeu o uso da medicação após perceber o agravamento do seu estado de saúde.
No dia 17 de dezembro, a mulher foi internada pela primeira vez no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, com fortes dores abdominais. Ela recebeu alta no dia 25, com suspeita de intoxicação medicamentosa. No entanto, poucos dias depois, o quadro se agravou.
De acordo com informações, após dois dias da alta hospitalar, a paciente começou a apresentar perda de força muscular progressiva. Ela já não conseguia se levantar sozinha nem andar sem ajuda.
No dia 28 de dezembro, a mulher foi internada novamente, desta vez com sintomas ainda mais graves. Além da urina escura e da fraqueza muscular intensa, ela passou a apresentar insuficiência respiratória e problemas neurológicos.
Inicialmente, a equipe médica levantou a hipótese de Síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica grave em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso periférico. Posteriormente, também foi considerada a possibilidade de Porfiria Intermitente Aguda, uma doença genética rara que afeta a produção do heme, componente essencial da hemoglobina, e que pode ser desencadeada pelo uso de determinados medicamentos.
Atualmente, a mulher está internada no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde segue em tratamento intensivo.
Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a importação, a fabricação, a distribuição, a venda e o uso de canetas emagrecedoras que não possuem registro no Brasil, justamente pelos riscos à saúde causados por produtos sem procedência e sem controle sanitário.
Especialistas alertam que, quando indicadas e acompanhadas por profissionais de saúde, as canetas emagrecedoras podem auxiliar no tratamento da obesidade e da diabetes. No entanto, o uso indiscriminado e a compra por meio de revendedores não autorizados representam sérios riscos à vida.
A forma mais segura de adquirir esse tipo de medicamento é exclusivamente por meio de farmácias legalizadas, com prescrição médica e acompanhamento profissional.