Imagem por: André Rangel/Canal 38

A divulgação da prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro repercutiu entre venezuelanos que vivem fora do país. Em Apucarana, no norte do Paraná, a venezuelana Nathalia Sandoval, que reside no município há quatro anos, falou sobre a mistura de sentimentos diante da notícia e as expectativas para o futuro da Venezuela.

Nathalia conta que vive no Brasil há sete anos e que a informação sobre a prisão foi recebida inicialmente com muita alegria.

“No começo foi uma maravilha, uma notícia muito boa. Eu fiquei muito feliz, minha família também. Mas logo depois veio aquele pensamento: o que pode acontecer agora? A situação fica difícil, dá nervosismo, ansiedade, e a gente começa a pensar no que vem daqui para frente”, relatou.

Segundo ela, após a divulgação da notícia, integrantes do atual regime venezuelano passaram a fazer ameaças públicas.

“Depois que o Diosdado Cabello saiu em pronunciamento em cadeia nacional, ele ameaçou em público. Disse que todo venezuelano, fora ou dentro do país, que fizesse declarações ou pretendesse ir à Venezuela poderia sofrer consequências. Pode ser preso, pode acontecer muita coisa nas mãos de militares ou da polícia”, afirmou.

Por esse motivo, Nathalia explica que muitos venezuelanos têm evitado se manifestar.

“Muitas pessoas não querem dar entrevistas, nem fazer declarações, nem celebrar essa felicidade pela captura do Maduro, por medo de represálias policiais”, disse.

Mesmo vivendo no Brasil, o sentimento é de preocupação constante, já que parte da família ainda está na Venezuela.

“Ainda tenho familiares lá: minha mãe, minha filha e outros parentes. A maioria já saiu do país e está na Espanha, Estados Unidos, Colômbia, Peru, todos espalhados. Mas quem ficou tem negócios, casas, coisas que podem perder se fizerem qualquer pronunciamento contra o governo atual. É um caso muito delicado”, destacou.

Para Nathalia, mesmo com a prisão de Maduro, o clima de repressão continua.

“Com certeza. Mesmo com a captura dele, o governo ainda segue retalhando o povo. Foi anunciado que haverá um governo de transição, e isso trouxe esperança, porque todo mundo sabe que uma transição precisa ser democrática, livre e correta”, comentou.

Ela afirma que o desejo do povo venezuelano é por eleições livres e segurança.

“A expectativa é que se estabeleça o país e que chamem votações livres e democráticas. Que haja segurança nacional e um limite para esses grupos revolucionários que ainda permanecem no poder”, explicou.

Apesar da felicidade, Nathalia ressalta que o medo impede manifestações dentro da Venezuela.

“A notícia foi maravilhosa, de muita felicidade. Mas você pode ver nas redes sociais e nos noticiários que ninguém saiu para celebrar. As ruas estão vazias, por medo. No início, algumas pessoas até saíram, mas logo voltaram para casa. É perigoso”, relatou.

Segundo ela, as comemorações têm ocorrido fora do país.

“Quem está celebrando são os venezuelanos no exterior: Espanha, Chile, Peru, Colômbia. Aqui no Brasil também, inclusive neste domingo, em São Paulo, na Avenida Paulista, os venezuelanos estão se reunindo. A felicidade é grande, mas dentro da Venezuela o povo não pode se pronunciar”, completou.

Ao finalizar, Nathalia deixou uma mensagem de esperança:

“Viva a Venezuela. Viva a Venezuela livre.”

Siga-nos nas redes sociais:

Compartilhe: