Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Arapongas resultou, nesta sexta-feira (20), na prisão de um homem bastante conhecido na cidade, suspeito de se apropriar de um terreno pertencente a uma idosa com problemas de saúde mental.
O caso foi detalhado pelo Dr. Maurício Camargo, delegado-chefe da 22ª Subdivisão Policial, durante entrevista à imprensa.
Segundo o delegado, a vítima é uma pessoa idosa, sem familiares próximos, considerada semi-irresponsável em razão de problemas mentais. Ela acabou sendo internada no fim do ano passado, inicialmente em Curitiba e depois em São José dos Pinhais. Durante esse período de internação, a residência onde ela morava foi invadida, sofreu depredações e, posteriormente, foi totalmente demolida.
“Trata-se de uma pessoa super conhecida na cidade, que conhece tudo, tem relacionamento com todo mundo. Aproveitou-se do fato de essa idosa não ter ninguém acompanhando a situação dela. A casa foi demolida, o terreno ficou completamente limpo, tudo foi descartado de forma irregular”, afirmou o delegado.
De acordo com Dr. Maurício Camargo, após a demolição, a madeira da residência foi vendida. A Polícia Civil tomou conhecimento do caso no momento em que essa madeira estava sendo transportada, com destino ao estado de Minas Gerais. A carga foi interceptada, e o receptador acabou informando quem havia vendido o material. Durante a ação policial, o próprio filho do suspeito entrou em contato com a base policial, e o homem confirmou a negociação, alegando falsamente que a madeira teria sido adquirida em leilão.
“O que mais chama atenção é que a idosa se recuperou, voltou para a cidade, mas até a presente data ela ainda não sabe que não tem mais casa. Quando retornou, a casa simplesmente não existia mais”, destacou o delegado.
Ainda conforme a investigação, o foco principal da ação criminosa seria o terreno, avaliado em cerca de R$ 400 mil. A estratégia consistiria em limpar completamente a área, descaracterizar o local, cercar o terreno, tomar posse de forma irregular e, futuramente, até tentar a regularização por meio de usucapião, aproveitando-se do fato de a vítima não ter familiares que contestassem a situação.
O delegado também revelou que há informações de que o homem preso hoje teria oferecido ao receptador outras duas casas em circunstâncias semelhantes. No entanto, o receptador afirmou que não chegou a verificar esses imóveis. Com a divulgação do caso, a Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas, especialmente outras pessoas idosas que possam ter passado por situações parecidas.
“É uma prática criminosa grave, que envolve pessoas vulneráveis, sem familiares, que por questões de saúde acabam internadas. Isso facilita a ação de quem quer se apropriar de bens de alto valor de forma ilícita”, concluiu o delegado.


